A paixão de Maira de Deus por crianças surgiu há muitos anos, quando a própria era uma criança. O que ela não poderia prever, no entanto, é que, quase dez anos depois, sua afinidade se transformaria em vocação. Em meio ao intenso ritmo de estudos do Ensino Médio, a aluna do 1º ano V sentiu necessidade de dar um tempo em sua programação e encontrar uma maneira de participar das ações sociais realizadas pela escola para o Ensino Fundamental. A ideia cresceu e tomou corpo com o engajamento dos colegas de Maira, que, sem saber, tinham a mesma vontade de ajudar o próximo. O resultado disso foi a primeira de uma série de visitas do 1º ano a instituições carentes. Para estrear, foi escolhido o Lar da Criança, localizado na Vila Laura.
“A iniciativa foi minha, mas eu não teria conseguido se não tivesse recebido tanto apoio. Todo corpo docente do Anglo, junto ao 1ºV e 1ºD, acolheu o movimento. Muitos dos meus colegas já estavam pedindo para ter essa oportunidade. Então, na realidade, eu só fiz dar o pontapé inicial para o negócio se encaminhar e a gente conseguir realizar uma coisa que estávamos querendo desde o início do ano”, contou ela, lembrando: “eu estudo no Anglo desde o 1º ano do EF I, entrei com 6 anos, e o Projeto Social, para mim, começou quando eu tinha uns 9 ou 10 anos. No início, eu fiquei encantada, sempre gostei muito de crianças e bebês. Mas, para ser sincera, eu sempre gostei de participar, mas nunca tive a consciência real do que é fazer um projeto social, acho até que era por conta da idade e da falta da maturidade. No ano passado, quando o Projeto Social já estava no finzinho e a minha turma pôde ter um contato mais direto com as crianças, eu comecei a me envolver mais intensamente”.
Com a chegada ao Ensino Médio, Maira logo sentiu falta do Projeto Social, que é destinado às turmas do Ensino Fundamental. Foi aí que a aluna começou a pensar em uma forma de não parar de ajudar. “A escola é parceira da Casa da Luz, da Béu Machado, da Tia Emília e de várias outras instituições. Todas atendem crianças de famílias sem muitas condições financeiras. Eu queria atingir um público maior, porque acho importante ajudarmos as crianças que não são abastadas, mas é ainda mais importante a gente ajudar as crianças que são órfãs, pois, além da falta de bens materiais, elas convivem com o medo de serem abandonadas de novo. Eu vi que seria fundamental que a gente conhecesse esse outro lado da moeda. Fui em busca de indicações de orfanatos, falei com amigos, gente da minha família, falei com a professora Cristina [Abrunhosa, coordenadora do Projeto Social], com Veronica [Laxon, diretora e tutora do 1ºV], com Débora [Guimarães, diretora e tutora do 1ºD]. Todos apoiaram a ideia, que eu já havia exposto para a turma. A professora Ana Cláudia [Sokolonski], que participa de ações sociais fora da escola, nos deu dicas também e foi com a gente no dia da visita. Fomos perto do Dia das Crianças, nos organizamos e levamos presentes. Para mim, foi uma sensação incrível. Faz muito bem ajudar o outro, o ser humano precisa disso, principalmente quando se trata de crianças. É uma experiência única ver o sorriso no rosto de uma criança. Eu me apaixonei por tudo, não queria ir embora de jeito nenhum. Claro que houve o receio inicial por não sabermos como seríamos recebidos, até porque nunca tivemos um contato direto com órfãos. Mas tudo aconteceu da melhor maneira, especialmente porque fomos de coração aberto para fazer o bem”, afirmou.
O momento mais marcante do encontro, conforme disse Maira, foi quando convidados e membros da instituição cantaram parabéns para Gisele, uma bebê de 9 meses que havia feito aniversário naquela semana. “Coincidentemente, levamos duas tortas e tivemos o prazer de comemorar a data especial. Foi emocionante”, afirma, considerando: “tudo foi inesquecível, valeu também pelo fato de sairmos do nosso mundo e ver que, perto de nosso ambiente escolar, há pessoas diferentes, pessoas que precisam da nossa ajuda. Foi importante para a gente perceber que o mundo não é só o local que frequentamos. A gente tem que sair dessa bolha que, normalmente, vivemos”, pontuou.
Depois do primeiro passo, as turmas do 1º ano já planejam a próxima ação, no final do ano. Desta vez, querem conhecer um novo orfanato, com outras histórias e possibilidades de integração. “Pretendemos fazer isso mesmo depois que o colégio termine. Queremos continuar indo nessas instituições, continuar tentando achar um espaçozinho na agenda. A gente vai tentar encaixar sempre um horário, pelo menos uma vez no ano, para que possamos reviver esse contato maravilhoso que tivemos lá na creche”, revelou Maira, com empolgação.
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